Sinais e sintomas mais comuns
- Dor, ardência ou formigamento em uma região do corpo, geralmente antes do aparecimento das lesões
- Distribuição em faixa, quase sempre de um lado do corpo
- Sensibilidade extrema ao toque, inclusive ao contato com roupas ou lençóis
- Bolhas agrupadas sobre uma base avermelhada, que evoluem para crostas
- Dor intensa, descrita como queimação ou choque
- Dor que persiste após a cicatrização das lesões
O herpes-zóster, popularmente chamado de cobreiro, é a reativação do vírus da catapora. Depois da infecção inicial, geralmente na infância, o vírus permanece adormecido em estruturas nervosas e pode voltar a se manifestar décadas depois.
Quando isso acontece, ele segue o trajeto dos nervos afetados, geralmente apenas um, o que explica a característica mais marcante do quadro: lesões que aparecem em faixa, unilaterais, sem cruzar a linha média.
Como começa
Um detalhe importante: a dor costuma vir antes das lesões.
Nos primeiros dias, a pessoa sente dor, ardência, formigamento ou coceira em uma região, sem nada visível na pele. Essa fase pode dificultar o diagnóstico e, dependendo da localização, levar à investigação de infarto, apendicite, hérnia de disco ou pedra nos rins, seguindo os protocolos de exclusão de urgências médicas.
Depois surgem as lesões com bolhas agrupadas sobre a pele avermelhada, seguindo o trajeto do nervo. Elas evoluem, geralmente acompanhadas de piora da dor, depois formando crostas e cicatrizando ao longo de algumas semanas. A dor pode persistir mesmo após a cicatrização das lesões, por um período de semanas a meses e até anos.
Por que o tempo importa tanto
Esta é a informação mais prática desta página.
O tratamento antiviral tem maior benefício quando iniciado precocemente, idealmente nas primeiras 72 horas após o aparecimento das lesões.
Isso não influencia somente o aumento da extensão das lesões (que, dependendo da localização, podem deixar cicatrizes inclusive hipertróficas e com potencial de retração e limitação motora), mas também a evolução da intensidade da dor, que pode aumentar bastante mesmo após o aparecimento das primeiras lesões.
Por isso, diante da suspeita, a orientação é procurar atendimento sem aguardar para ver como evolui.
A neuralgia pós-herpética
É comum a dor permanecer mesmo após a cicatrização das lesões. Porém, quando persiste por mais de 90 dias após o início das lesões, estamos diante de um quadro de neuralgia pós-herpética.
Pode ser intensa, descrita como queimação ou choque, e vir acompanhada de sensibilidade extrema, a ponto de o contato da roupa ou do lençol se tornar insuportável. Em alguns casos, pode durar anos e até décadas.
O risco aumenta com a idade, o que torna esse aspecto particularmente relevante para pessoas idosas. É uma complicação que afeta sono, humor, apetite e autonomia, e merece tratamento próprio quando se instala.
Situações que exigem atenção imediata
Alguns casos demandam avaliação urgente.
Quadros de zóster na região de cabeça e pescoço devem ser avaliados imediatamente. A proximidade de estruturas sensoriais nobres, como olhos e ouvidos, pode comprometer funções importantes e aumenta a necessidade de avaliação cuidadosa.
Pessoas com imunidade comprometida, como transplantados e pacientes em tratamento oncológico ou para doenças autoimunes, podem evoluir para quadros muito extensos e também devem procurar assistência à primeira suspeita.
Sobre transmissão
Não se contrai herpes-zóster de outra pessoa. O que existe é a reativação de um vírus que já estava no organismo.
No entanto, alguém com lesões ativas pode transmitir o vírus por contato direto com as lesões. No caso do zóster disseminado, a transmissão por via aérea também deve ser considerada.
Uma pessoa suscetível pode desenvolver catapora após essa exposição. Na dúvida, gestantes, bebês e pessoas imunocomprometidas devem evitar o contato direto com as lesões e não devem visitar alguém internado por zóster.
Quando procurar avaliação
Diante de dor em faixa de um lado do corpo, com ou sem lesões visíveis, ou do aparecimento de bolhas agrupadas nessa distribuição, procure atendimento no mesmo dia.
Se a dor persistir após a cicatrização, isso também é motivo de retorno. A neuralgia pós-herpética tem tratamento, e conviver com ela sem assistência não é o caminho.
Dúvidas frequentes
Por que devo procurar atendimento rápido?
Porque o tratamento antiviral tem maior benefício quando iniciado cedo, idealmente nas primeiras 72 horas do aparecimento das lesões. É a única intervenção possível para se tentar prevenir um quadro muito extenso, muito doloroso e potencialmente traumatizante.
Peguei de alguém?
Não. O herpes-zóster é a reativação do vírus da catapora, que permanece adormecido no organismo de quem já teve a doença. Não se pega zóster de outra pessoa. Porém, quem tem lesões ativas pode transmitir o vírus e causar catapora em quem nunca teve nem foi vacinado.
O que é a neuralgia pós-herpética?
É a dor que persiste na região afetada mesmo depois que as lesões cicatrizaram. É a complicação mais temida do zóster, torna-se mais frequente com o avanço da idade e pode durar anos. O tratamento adequado permite recuperar a qualidade de vida.
Existe vacina?
Sim, existe vacinação para herpes-zóster. A indicação, o momento adequado e as particularidades de cada caso devem ser discutidos com o médico que acompanha você.
